EXTERMINE-SE!
Hoje, pela primeira vez desde há muito tempo, não escolhi com grande apuro o filme que ia ver. Enquanto percorria o cartaz dos cinemas, no jornal, só pensava: "Este tem uma sala grande... O ar condicionado daquele está sempre numa temperatura baixíssima...".
Finalmente, passei duas horas simpáticas, no Monumental. Deu para pôr os pensamentos em ordem. Os parabéns a quem pensou naquela climatização... Um óscar, já!
Caeiro, também aqui, é o mestre. Este blogue é mantido por Possidónio Cachapa e todos os que acham por bem participar. A blogar desde 2003.
31 de julho de 2003
QUANDO AS CERTEZAS ARDEM
Sobre os posts incendiários em baixo, recebi da Cristina C., um mail que reproduzo parcialmente, com autorização. Na verdade, ela interroga-se sobre a veracidade das informações que lhe chegaram. E as consequências para o nosso pilar de crenças da justeza ou não da informação. Agradecem-se achegas.
"(1) os bombeiros portugueses são os únicos na Europa que quando trabalham,
leia-se, apagam fogos, recebem as horas extraordinárias e recebem igualmente
um prémio (monetário, claro!) correspondente ao desempenho bem sucedido;
(2) os bombeiros portugueses são os únicos na Europa que triplicam (????!!!)
o seu vencimento nos meses de Verão (disseram-me que durante o ano é de
70/80 contos);
(...)
Fiquei também a saber:
(1) para se fazer uma fogueira numa mata (de limpeza, claro, as outras são
proibidas e até mesmo durante o Outono) é obrigatório dar conhecimento às
entidades competentes para não confundir quem faz a vigilância;
(3) a vigilância nas matas portuguesas (de Norte a Sul, Madeira não conta!
hehehehehehe) é realizada por 1200 homens a maior parte com salário mínimo
nacional;
(2) apesar do blábláblá do governo, as matas continuam como sempre têm
estado ano após ano - por limpar e, por isso, mais inflamáveis;
A ser verdade, questiono-me
.........cada vez mais, menos fugazmente, porque teimo em sentir orgulho de ser portuguesa. A ser mentira, sinto-me mal, também.
Como é possível uma conversa informal conseguir criar uma dúvida em mim
sobre um corpo profissional que admirava por considerar um bastião da
coragem, do voluntarismo, da resistência ?????"
Sobre os posts incendiários em baixo, recebi da Cristina C., um mail que reproduzo parcialmente, com autorização. Na verdade, ela interroga-se sobre a veracidade das informações que lhe chegaram. E as consequências para o nosso pilar de crenças da justeza ou não da informação. Agradecem-se achegas.
"(1) os bombeiros portugueses são os únicos na Europa que quando trabalham,
leia-se, apagam fogos, recebem as horas extraordinárias e recebem igualmente
um prémio (monetário, claro!) correspondente ao desempenho bem sucedido;
(2) os bombeiros portugueses são os únicos na Europa que triplicam (????!!!)
o seu vencimento nos meses de Verão (disseram-me que durante o ano é de
70/80 contos);
(...)
Fiquei também a saber:
(1) para se fazer uma fogueira numa mata (de limpeza, claro, as outras são
proibidas e até mesmo durante o Outono) é obrigatório dar conhecimento às
entidades competentes para não confundir quem faz a vigilância;
(3) a vigilância nas matas portuguesas (de Norte a Sul, Madeira não conta!
hehehehehehe) é realizada por 1200 homens a maior parte com salário mínimo
nacional;
(2) apesar do blábláblá do governo, as matas continuam como sempre têm
estado ano após ano - por limpar e, por isso, mais inflamáveis;
A ser verdade, questiono-me
.........cada vez mais, menos fugazmente, porque teimo em sentir orgulho de ser portuguesa. A ser mentira, sinto-me mal, também.
Como é possível uma conversa informal conseguir criar uma dúvida em mim
sobre um corpo profissional que admirava por considerar um bastião da
coragem, do voluntarismo, da resistência ?????"
30 de julho de 2003
AINDA O NOSSO JARDIM
Ao que consta, a dívida da Madeira aumentou 15,3 por cento. A rigorosa gestão do homem que afirma "Sou um filho único irreverente e vou onde me apetecer", foi a do costume.
A manutenção do apoio ou pelo menos do silêncio conivente dos partidos face a este, por assim dizer, governante, é a prova final de que a política não é uma coisa séria. E que a abstenção continua a ser um direito.
Ao que consta, a dívida da Madeira aumentou 15,3 por cento. A rigorosa gestão do homem que afirma "Sou um filho único irreverente e vou onde me apetecer", foi a do costume.
A manutenção do apoio ou pelo menos do silêncio conivente dos partidos face a este, por assim dizer, governante, é a prova final de que a política não é uma coisa séria. E que a abstenção continua a ser um direito.
MODERNA
Na minha distracção ainda nem me tinha apercebido que o ex-secretário de estado Sousa Lara era arguido no Caso Moderna. Se as coisas correrem mal e for condenado, a ver se lhe mando o Evangelho Segundo Jesus Cristo, do Saramago. É entre as paredes dos cárceres que se compreende melhor o calvário de alguns...
Na minha distracção ainda nem me tinha apercebido que o ex-secretário de estado Sousa Lara era arguido no Caso Moderna. Se as coisas correrem mal e for condenado, a ver se lhe mando o Evangelho Segundo Jesus Cristo, do Saramago. É entre as paredes dos cárceres que se compreende melhor o calvário de alguns...
INÍCIO DE SÉCULO
Ainda no outro dia tentava explicar a um amigo meu, a teoria que os inícios de século têm tendência a ser conservadores, para não dizer reaccionários. O mundo recua umas décadas e voltamos ao sítio onde a liberdade de valores nos tinha conduzido alguns anos atrás.
É só uma teoria. E ele discordava. Mas é nela que penso, quando leio o cabeçalho do DN: "Telmo Correia quer reforma do sistema judicial na próxima sessão legislativa".
Ainda no outro dia tentava explicar a um amigo meu, a teoria que os inícios de século têm tendência a ser conservadores, para não dizer reaccionários. O mundo recua umas décadas e voltamos ao sítio onde a liberdade de valores nos tinha conduzido alguns anos atrás.
É só uma teoria. E ele discordava. Mas é nela que penso, quando leio o cabeçalho do DN: "Telmo Correia quer reforma do sistema judicial na próxima sessão legislativa".
29 de julho de 2003
BLOGUES
Gostei da frase do fedorento Diogo, na reportagem da rpt sobre este nosso humilde quintal: "O Pacheco Pereira é um pai à posteriori da blogosfera". Lol !
Gostei da frase do fedorento Diogo, na reportagem da rpt sobre este nosso humilde quintal: "O Pacheco Pereira é um pai à posteriori da blogosfera". Lol !
SUSTO
Abro a televisão matinal e dou de caras com duas Fátimas Lopes, entaladas entre o ventríloquo do pato e uma brasileira do mais caipira.
Foi preciso um close-up para ver que uma delas era a Maya, vestida com as roupas da outra e a firme decisão de se tornar uma estrela... do espectáculo. O que não me parece mal, já que em Portugal, levamos a vida a ouvir modelos a confessar o seu sonho de serem actores e actrizes "Estar na passarelle, já é ser actor"...
Boa sorte, Maya, estamos contigo. Os astros da sic protegem-te.
Abro a televisão matinal e dou de caras com duas Fátimas Lopes, entaladas entre o ventríloquo do pato e uma brasileira do mais caipira.
Foi preciso um close-up para ver que uma delas era a Maya, vestida com as roupas da outra e a firme decisão de se tornar uma estrela... do espectáculo. O que não me parece mal, já que em Portugal, levamos a vida a ouvir modelos a confessar o seu sonho de serem actores e actrizes "Estar na passarelle, já é ser actor"...
Boa sorte, Maya, estamos contigo. Os astros da sic protegem-te.
NADAR NA LAMA
Agora é o Mestre Américo que é trazido à baila. Mais uma acusação de abuso sexual. Da parte de uma aluna, desta vez. Aliás, tem sido maravilhoso constatar como as raparigas escaparam milagrosamente a todas as sevícias. Só os rapazes foram atacados às centenas desde que a instituição começou. Elas, não. Nada. Também nenhuma se há-de ter tornado toxicodependente. Ou prostituta. Ou abusadora de uma espécie qualquer. O paraíso.
Mas, voltando à vaca fria, é desolador constatar como se vai cada vez mais baixo. Até as pessoas que denunciaram o caso passam a poder estar envolvidas... Parece-me uma boa estratégia de defesa para um caso que terminará, estou certo, com um mínimo de condenações.
O freguês que se segue, ó fazfavor...!
Agora é o Mestre Américo que é trazido à baila. Mais uma acusação de abuso sexual. Da parte de uma aluna, desta vez. Aliás, tem sido maravilhoso constatar como as raparigas escaparam milagrosamente a todas as sevícias. Só os rapazes foram atacados às centenas desde que a instituição começou. Elas, não. Nada. Também nenhuma se há-de ter tornado toxicodependente. Ou prostituta. Ou abusadora de uma espécie qualquer. O paraíso.
Mas, voltando à vaca fria, é desolador constatar como se vai cada vez mais baixo. Até as pessoas que denunciaram o caso passam a poder estar envolvidas... Parece-me uma boa estratégia de defesa para um caso que terminará, estou certo, com um mínimo de condenações.
O freguês que se segue, ó fazfavor...!
28 de julho de 2003
ARQUEOLOGIA BIOLÓGICA
Hoje descobri, acidentalmente, que abriu uma loja de "produtos biológicos" ao fundo da minha rua. Eu já conhecia uma, com preços bastante mais convidativos, e que se chama "Mercado", ou "Praça". Mas esta vende aquelas coisas que cozinho amiúde (lentilhas, couscous...). Vim de lá carregado com várias coisas e a ideia de que estava na senda de um mundo mais saudável. Meteram-me tudo dentro de um saco de plástico transparente (grosso) e que, no máximo, dentro de 2000 anos se terá desintegrado...
Hoje descobri, acidentalmente, que abriu uma loja de "produtos biológicos" ao fundo da minha rua. Eu já conhecia uma, com preços bastante mais convidativos, e que se chama "Mercado", ou "Praça". Mas esta vende aquelas coisas que cozinho amiúde (lentilhas, couscous...). Vim de lá carregado com várias coisas e a ideia de que estava na senda de um mundo mais saudável. Meteram-me tudo dentro de um saco de plástico transparente (grosso) e que, no máximo, dentro de 2000 anos se terá desintegrado...
STAND UP SADNESS
Alberto João Jardim está a dar o máximo para derrotar o seu grande adversário Fernando Rocha, como se sabe rei do atémemijotodoquandoovejo (uma versão heavy de stand up comedy).
No seu mega-espectáculo anual em Chão da Lagoa, o comediante declarou que era preciso correr com os comunistas que infestam a administração pública (do Continente, claro). O público escangalhou-se a rir com esta fantasia. Mas logo de seguida, ele atacou com "as forças de segurança brincam aos sindicatos" e rematou com "Temos que lutar pela nossa pátria que é a Madeira". Uma velhinha que parou de agitar a bandeira que lhe tinham dado ainda terá perguntado "mas a geante já nõun soumos portuguuesas?", mas ninguém a ouviu.
Fernando Rocha, enquanto assinava novos contratos (segundo consta, 2000 contos por espectáculo) teria dito que não receia o cómico madeirense : "Ele que venha até Portugal que logo vê o que eu lhe mando meter no bojãããããããõoooo!".
Jovens militantes do psd, enquanto aguardam emprego na câmara de Lisboa, já pediram ao tio Santana que organize um espectáculo com estas duas estrelas ("Vai ser só rir, tá a ver?...").
Alberto João Jardim está a dar o máximo para derrotar o seu grande adversário Fernando Rocha, como se sabe rei do atémemijotodoquandoovejo (uma versão heavy de stand up comedy).
No seu mega-espectáculo anual em Chão da Lagoa, o comediante declarou que era preciso correr com os comunistas que infestam a administração pública (do Continente, claro). O público escangalhou-se a rir com esta fantasia. Mas logo de seguida, ele atacou com "as forças de segurança brincam aos sindicatos" e rematou com "Temos que lutar pela nossa pátria que é a Madeira". Uma velhinha que parou de agitar a bandeira que lhe tinham dado ainda terá perguntado "mas a geante já nõun soumos portuguuesas?", mas ninguém a ouviu.
Fernando Rocha, enquanto assinava novos contratos (segundo consta, 2000 contos por espectáculo) teria dito que não receia o cómico madeirense : "Ele que venha até Portugal que logo vê o que eu lhe mando meter no bojãããããããõoooo!".
Jovens militantes do psd, enquanto aguardam emprego na câmara de Lisboa, já pediram ao tio Santana que organize um espectáculo com estas duas estrelas ("Vai ser só rir, tá a ver?...").
O MAR URBANO
Hoje acordei com a luz do sol que entrava pela janela do escritório e se infiltrava, sorrateira, pelo quarto adentro. Eram 7. 27 h. Mais tarde, fui chamado pelo cheiro das torradas e do movimento amigo que vinha da cozinha.
Estava na cidade, mas o meu corpo contente dizia-me que era Verão, que vivia um tempo passado e que o barulho da rua era o do Mar de Sesimbra...
Hoje acordei com a luz do sol que entrava pela janela do escritório e se infiltrava, sorrateira, pelo quarto adentro. Eram 7. 27 h. Mais tarde, fui chamado pelo cheiro das torradas e do movimento amigo que vinha da cozinha.
Estava na cidade, mas o meu corpo contente dizia-me que era Verão, que vivia um tempo passado e que o barulho da rua era o do Mar de Sesimbra...
26 de julho de 2003
ESCLARECIMENTO
Eu sei que com os rodapés dos telejornais, tão maravilhosamente elaborados, já ninguém duvida como se escreve em português (de Portugal) qualquer palavra. Mas ainda assim, aqui fica um endereço útil.
Eu sei que com os rodapés dos telejornais, tão maravilhosamente elaborados, já ninguém duvida como se escreve em português (de Portugal) qualquer palavra. Mas ainda assim, aqui fica um endereço útil.
IR PARA FORA CÁ DENTRO
Curioso o texto da UNICA sobre o presidente da Câmara de Alcoutim. Sente-se ali o filho da terra que se esforça por manter vivo o postal ilustrado. Aquilo que para os citadinos são imagens bucólicas constitui, frequentemente, para quem lá vive, a pasmaceira sem horizontes.
Quem já viveu em pequenas povoações pela Europa central, sabe que o conceito que se procura manter é o da "ruralidade equilibrada", ou seja, se olharmos pelas janelas das traseiras vemos os campos cultivados, mas se o fizermos pela frente da casa, avistamos uma escola com condições, um supermercado de média dimensão e, com sorte, um pequeno cinema. Ou seja, não encontramos ali a última das novidades culturais, ou os produtos da última tecnologia, mas vive-se com um conforto digno. São sítios em que todos podem viver sem grandes lamentações.
Francisco Amaral refere ainda as dificuldades que as directivas relativas à Reserva Agrícola Nacional colocam. Não conheço o caso de Alcoutim, mas em muitos sítios, estas indicações constituem sobretudo meros entraves ao desenvolvimento dos concelhos. Por exemplo, se tivermos uma pequena propriedade, onde não existe uma habitação e decidirmos dedicar-nos a viver do que a horta dá e a passar os anoiteceres no pórtico de uma pequena casa, não o podemos fazer. Nada pode ali ser edificado que não sirva exclusivamente o propósito do semeador. Não se trata de não deixar construir vivendas apalhaçadas: nada mesmo. A ideia é que se viva na localidade mais próxima e se vá de carro, ou de tractor, até ao local de trabalho. Nada disto refere concretamente o autarca. Refiro eu, que já vi. E tal como qualquer pessoa que tenha morado um dia num sítio destes sabe que tudo isto se contorna com esquemas. Haja dinheiro e o barracão para guardar as máquinas transforma-se num gigantesco conjunto de habitações...
O que eu digo é que estamos todos de acordo em proteger a nossa paisagem e os nosso recursos. Mas talvez um pouco de sensatez não fizesse mal, nestas decisões. Afinal, estamos a proteger as nossas terras para quem?
Curioso o texto da UNICA sobre o presidente da Câmara de Alcoutim. Sente-se ali o filho da terra que se esforça por manter vivo o postal ilustrado. Aquilo que para os citadinos são imagens bucólicas constitui, frequentemente, para quem lá vive, a pasmaceira sem horizontes.
Quem já viveu em pequenas povoações pela Europa central, sabe que o conceito que se procura manter é o da "ruralidade equilibrada", ou seja, se olharmos pelas janelas das traseiras vemos os campos cultivados, mas se o fizermos pela frente da casa, avistamos uma escola com condições, um supermercado de média dimensão e, com sorte, um pequeno cinema. Ou seja, não encontramos ali a última das novidades culturais, ou os produtos da última tecnologia, mas vive-se com um conforto digno. São sítios em que todos podem viver sem grandes lamentações.
Francisco Amaral refere ainda as dificuldades que as directivas relativas à Reserva Agrícola Nacional colocam. Não conheço o caso de Alcoutim, mas em muitos sítios, estas indicações constituem sobretudo meros entraves ao desenvolvimento dos concelhos. Por exemplo, se tivermos uma pequena propriedade, onde não existe uma habitação e decidirmos dedicar-nos a viver do que a horta dá e a passar os anoiteceres no pórtico de uma pequena casa, não o podemos fazer. Nada pode ali ser edificado que não sirva exclusivamente o propósito do semeador. Não se trata de não deixar construir vivendas apalhaçadas: nada mesmo. A ideia é que se viva na localidade mais próxima e se vá de carro, ou de tractor, até ao local de trabalho. Nada disto refere concretamente o autarca. Refiro eu, que já vi. E tal como qualquer pessoa que tenha morado um dia num sítio destes sabe que tudo isto se contorna com esquemas. Haja dinheiro e o barracão para guardar as máquinas transforma-se num gigantesco conjunto de habitações...
O que eu digo é que estamos todos de acordo em proteger a nossa paisagem e os nosso recursos. Mas talvez um pouco de sensatez não fizesse mal, nestas decisões. Afinal, estamos a proteger as nossas terras para quem?
FLASH
Nada como começar o dia com uma visão da felicidade campestre.
Ou um hino à paz
Quem gosta de se passear pela cidade sem olhar para cima pode sempre ver isto
Nada como começar o dia com uma visão da felicidade campestre.
Ou um hino à paz
Quem gosta de se passear pela cidade sem olhar para cima pode sempre ver isto
25 de julho de 2003
SALTO MORTAL
Terminou a Gymnaestrada. Acabei por não ver nada ao vivo, tal como a maioria dos portugueses, com a agravante de estar em Lisboa. Mas, a divulgação sobre os locais das performances (descontando o Pavilhão Atlântico) não foi particularmente eficaz. Já agora, a notícia que correu na imprensa, na semana anterior, de que "as galas já estavam esgotadas", também não terá sido muito eficaz para a venda de bilhetes.
Mas acabei por ver a Gala Final, transmitida hoje na RTP2 (a 1 estava ocupada com o Tonecas, não poderia transmitir um acontecimento desta dimensão). Foi fantástica e espero que contribua para aumentar o interesse pela prática desta modalidade.
Nota para um dos exercícios de um dos grupos portugueses que com um simples colchão criaram toda uma coreografia original (dispensam-se as piadas...).
O único senão foi para os comentários de uma criatura fanhosa, de vocabulário com um máximo de 20 palavras ("gala", "paralelas", "atletas" e mais 17...) que nos ia levando à loucura no número final. Por mais que tentássemos dar atenção à música, ao som da sala e à coreografia, lá estava o papagaio a fazer o que soava como CRRAAA CRRAAAA, mas que deviam ser comentários explicativos.Não se desfaçam dela na Rtp, não...
De resto foi bom sentir que Portugal se começa a aventurar em organizações desta dimensão. Viva a Ginástica!
Terminou a Gymnaestrada. Acabei por não ver nada ao vivo, tal como a maioria dos portugueses, com a agravante de estar em Lisboa. Mas, a divulgação sobre os locais das performances (descontando o Pavilhão Atlântico) não foi particularmente eficaz. Já agora, a notícia que correu na imprensa, na semana anterior, de que "as galas já estavam esgotadas", também não terá sido muito eficaz para a venda de bilhetes.
Mas acabei por ver a Gala Final, transmitida hoje na RTP2 (a 1 estava ocupada com o Tonecas, não poderia transmitir um acontecimento desta dimensão). Foi fantástica e espero que contribua para aumentar o interesse pela prática desta modalidade.
Nota para um dos exercícios de um dos grupos portugueses que com um simples colchão criaram toda uma coreografia original (dispensam-se as piadas...).
O único senão foi para os comentários de uma criatura fanhosa, de vocabulário com um máximo de 20 palavras ("gala", "paralelas", "atletas" e mais 17...) que nos ia levando à loucura no número final. Por mais que tentássemos dar atenção à música, ao som da sala e à coreografia, lá estava o papagaio a fazer o que soava como CRRAAA CRRAAAA, mas que deviam ser comentários explicativos.Não se desfaçam dela na Rtp, não...
De resto foi bom sentir que Portugal se começa a aventurar em organizações desta dimensão. Viva a Ginástica!
FUGA PARA A GUARDA
Soube de fonte segura que alguns dos mais ilustres bloguistas partiram em direcção à Guarda. Desconfio que isto seja um golpe executado à Marreta para descentralizar a massa cinzenta da capital... ;)
Soube de fonte segura que alguns dos mais ilustres bloguistas partiram em direcção à Guarda. Desconfio que isto seja um golpe executado à Marreta para descentralizar a massa cinzenta da capital... ;)
MIGUEL SOUSA TAVARES
Mais uma crónica acutilante do jornalista, no Público de hoje. Calculo que nestas alturas, a formação em Direito sirva para alguma coisa. O retrato que ele faz do corporativismo da magistratura, da forma como por vezes se fere o espírito da lei (quando não a lei, em si própria) para proteger colegas de ofício, é algo que todos nós já sabíamos. Mas poucos de nós temos a coragem de o pôr em letra de imprensa.
Ainda sobre M. S. Tavares, não me tem saído da cabeça a descrição que ele faz no seu romance "Equador" da política colonial portuguesa do início do séc. XX e os comentários de alguns analistas sobre a crise em S. Tomé e Príncipe. Já se fala é menos em cacau e mais em petróleo.
Mais uma crónica acutilante do jornalista, no Público de hoje. Calculo que nestas alturas, a formação em Direito sirva para alguma coisa. O retrato que ele faz do corporativismo da magistratura, da forma como por vezes se fere o espírito da lei (quando não a lei, em si própria) para proteger colegas de ofício, é algo que todos nós já sabíamos. Mas poucos de nós temos a coragem de o pôr em letra de imprensa.
Ainda sobre M. S. Tavares, não me tem saído da cabeça a descrição que ele faz no seu romance "Equador" da política colonial portuguesa do início do séc. XX e os comentários de alguns analistas sobre a crise em S. Tomé e Príncipe. Já se fala é menos em cacau e mais em petróleo.
PÕE O CINTO, PÁ
Vai começar mais uma campanha de prevenção rodoviária. Pela fotografia do spot que vi, uma criancinha de plasticina levava um murraço na tromba (a fingir que era o pai a travar). Embora compreenda esta fantasia do criativo, que deve ser pai e ter pouca paciência, não me parece que isso ajude muito. Pôr o cinto é que era capaz de ser porreiro (basta andar na estrada e olhar para dentro dos carros que nos ultrapassam para ver que 80% da canalha anda totamente à solta. Normalmente, empoleiradinhos a meio, entre os bancos, mesmo naquele sítio ideal para treinar vôo sem aparelho).
Vai começar mais uma campanha de prevenção rodoviária. Pela fotografia do spot que vi, uma criancinha de plasticina levava um murraço na tromba (a fingir que era o pai a travar). Embora compreenda esta fantasia do criativo, que deve ser pai e ter pouca paciência, não me parece que isso ajude muito. Pôr o cinto é que era capaz de ser porreiro (basta andar na estrada e olhar para dentro dos carros que nos ultrapassam para ver que 80% da canalha anda totamente à solta. Normalmente, empoleiradinhos a meio, entre os bancos, mesmo naquele sítio ideal para treinar vôo sem aparelho).
PROTESTO
Os "trabalhadores" da Carris já protestaram contra a referida reestruturação, vulgo, rescisões amigáveis.
Alguns funcionários terão mesmo assegurado que se iriam aborrecer para casa. Afinal, não é fácil juntar grupos de paródia iguais aos que se formam nos terminais.
ps: agora mais a sério, a chamada de atenção, feita pelos sindicatos, para as 4 administrações que regem os transportes e os seus 20 (regiamente pagos) administradores fazem igualmente sentido. Certamente que teremos que continuar a sustentar várias pessoas, nomeadas pelos seus méritos partidários, a pão-de-ló, mas ao menos que reduzissem o número de empresas.
Os "trabalhadores" da Carris já protestaram contra a referida reestruturação, vulgo, rescisões amigáveis.
Alguns funcionários terão mesmo assegurado que se iriam aborrecer para casa. Afinal, não é fácil juntar grupos de paródia iguais aos que se formam nos terminais.
ps: agora mais a sério, a chamada de atenção, feita pelos sindicatos, para as 4 administrações que regem os transportes e os seus 20 (regiamente pagos) administradores fazem igualmente sentido. Certamente que teremos que continuar a sustentar várias pessoas, nomeadas pelos seus méritos partidários, a pão-de-ló, mas ao menos que reduzissem o número de empresas.
24 de julho de 2003
SERVIÇO PÚBLICO
Como as novas gerações já não aprendem francês na escola, sinto-me na obrigação de lhes mostrar o que encontrariam se lessem O SENHOR DOS ANEIS:
"CHAPITRE PREMIER
UNE RÉCEPTION DEPUIS LONGTEMPS ATTENDUE
Quand M. Bilbon Sacquet, de Cul-Sac, annonça qu'il donnerait à l'occasion de son undécante-unième anniversaire une réception d'une magnificence particulière, une grande excitation régna dan Hobbitebourg, et toute la ville en parla"
Ou, o Rimbaud...
LE PAUVRE SONGE
"peut-être un Soir m'attend
Où je boirai tranquille
En quelque vieille Ville,
Et mourrai plus content:
Puisque je suis patient!
Si mon mal se résigne,
Si j'ai jamais quelque or,
Choisirai-je le Nord
Ou le Pays des Vignes?...
-Ah! Songer est indigne
Puisque c'est pure perte!
Et si je redeviens
Le voyageur ancien
Jamais l'auberge verte
Ne peut bien m'être ouverte. "
ps: just kidding
Como as novas gerações já não aprendem francês na escola, sinto-me na obrigação de lhes mostrar o que encontrariam se lessem O SENHOR DOS ANEIS:
"CHAPITRE PREMIER
UNE RÉCEPTION DEPUIS LONGTEMPS ATTENDUE
Quand M. Bilbon Sacquet, de Cul-Sac, annonça qu'il donnerait à l'occasion de son undécante-unième anniversaire une réception d'une magnificence particulière, une grande excitation régna dan Hobbitebourg, et toute la ville en parla"
Ou, o Rimbaud...
LE PAUVRE SONGE
"peut-être un Soir m'attend
Où je boirai tranquille
En quelque vieille Ville,
Et mourrai plus content:
Puisque je suis patient!
Si mon mal se résigne,
Si j'ai jamais quelque or,
Choisirai-je le Nord
Ou le Pays des Vignes?...
-Ah! Songer est indigne
Puisque c'est pure perte!
Et si je redeviens
Le voyageur ancien
Jamais l'auberge verte
Ne peut bien m'être ouverte. "
ps: just kidding
ESCUTAS TELEFÓNICAS
O post abaixo faz-me pensar noutra coisa. Se a Judiciária tem metade do país debaixo de escuta, isto é, se partilha das nossas conversas, não deveria ajudar a pagar a conta do telemóvel?
Ou deverá, por exemplo, Ferro Rodrigues deduzir nos impostos os seus telefonemas, já que eles contribuíram para a res pública?
O post abaixo faz-me pensar noutra coisa. Se a Judiciária tem metade do país debaixo de escuta, isto é, se partilha das nossas conversas, não deveria ajudar a pagar a conta do telemóvel?
Ou deverá, por exemplo, Ferro Rodrigues deduzir nos impostos os seus telefonemas, já que eles contribuíram para a res pública?
AVANTE DO SEU TEMPO
A revista "Os meus livros" publica um artigo sobre o original tema dos blogues. Neste caso, os literários. Entre outras coisas, fiquei a saber que um dos blogues mais "estimulantes" que se podem consultar é a COLUNA INFAME. Levantando-se das brumas do outro mundo, o retrato conjunto dos nossos amigos Pedro Lomba, Pedro Mexia e José P. Coutinho, agradecem.
Ainda num assomo de grande originalidade preparam um dossier sobre livros que exploram o tema "pedofilia". Não li, confesso, mas tenho a certeza que não deixará de ser de grande utilidade, já que é um assunto quase nada explorado pela imprensa.
Bem hajam e não percam a qualidade.
A revista "Os meus livros" publica um artigo sobre o original tema dos blogues. Neste caso, os literários. Entre outras coisas, fiquei a saber que um dos blogues mais "estimulantes" que se podem consultar é a COLUNA INFAME. Levantando-se das brumas do outro mundo, o retrato conjunto dos nossos amigos Pedro Lomba, Pedro Mexia e José P. Coutinho, agradecem.
Ainda num assomo de grande originalidade preparam um dossier sobre livros que exploram o tema "pedofilia". Não li, confesso, mas tenho a certeza que não deixará de ser de grande utilidade, já que é um assunto quase nada explorado pela imprensa.
Bem hajam e não percam a qualidade.
23 de julho de 2003
O ACTO DE BEM GRAFITAR O QUE SE APANHA
Gosto da estação do Rato, em Lisboa. Da maneira como a enorme escada se propulsiona em direcção ao céu. Do verde esmeralda dos azulejos.
Existe uma outra saída de metro que é como um túnel de aquário, na Av. da Liberdade, suponho.
Mas as duas estão cobertas de gatafunhos. Bandos de sabe-se lá escrevinharam as iniciais, em anagrâmico estilo. Ficaram os quadrados cerâmicos como se moscas gigantes ali tivessem passando em incontinente desvario.
Pergunto-me, onde estavam os seguranças, que supostamente têm as escadas sob vigilância vídeo, enquanto eles se entretinham nesta actividade? Provavelmente, trancados a sete chaves nalgum gabinete, rezando para que os artistas não lhe espetassem uma naifa nas gordas carnes... Digo eu...
Gosto da estação do Rato, em Lisboa. Da maneira como a enorme escada se propulsiona em direcção ao céu. Do verde esmeralda dos azulejos.
Existe uma outra saída de metro que é como um túnel de aquário, na Av. da Liberdade, suponho.
Mas as duas estão cobertas de gatafunhos. Bandos de sabe-se lá escrevinharam as iniciais, em anagrâmico estilo. Ficaram os quadrados cerâmicos como se moscas gigantes ali tivessem passando em incontinente desvario.
Pergunto-me, onde estavam os seguranças, que supostamente têm as escadas sob vigilância vídeo, enquanto eles se entretinham nesta actividade? Provavelmente, trancados a sete chaves nalgum gabinete, rezando para que os artistas não lhe espetassem uma naifa nas gordas carnes... Digo eu...
DRAWN BY THE BLOGS
Desisto. Ou antes, vou mudar de atitude epistemológica. Só sei que nada sei, sobre os blogues actuais. Todos os dias surgem novos, com razões de interesse muito diversas. Vou lá por indicação de outros, ou por acaso, como aconteceu aqui com o Piscoiso. Carreguem no sinal da vaca :)
Ou o Dempster, mantido pelo Nuno, que tem uma fotografia de uma casa no Marão e uns avanços poéticos que se pressentem em progresso.
E, claro, o rainsong do José Manuel que não convém perder de vista... ;)
Desisto. Ou antes, vou mudar de atitude epistemológica. Só sei que nada sei, sobre os blogues actuais. Todos os dias surgem novos, com razões de interesse muito diversas. Vou lá por indicação de outros, ou por acaso, como aconteceu aqui com o Piscoiso. Carreguem no sinal da vaca :)
Ou o Dempster, mantido pelo Nuno, que tem uma fotografia de uma casa no Marão e uns avanços poéticos que se pressentem em progresso.
E, claro, o rainsong do José Manuel que não convém perder de vista... ;)
22 de julho de 2003
LUMUS!!
Sempre me fez confusão, por que razão sempre que visitava universidades estrangeiras via os alunos vestidos de jeans, sentados em relvados, mas basicamente concentrados no trabalho académico.
Em Portugal, pelo contrário, os grandes momentos eram os dedicados às praxes e à escolha do trajo académico (que lhes custa, crachás incluídos, quase tanto como um ano inteiro de propinas numa universidade pública).
Foi ao avistar uma imagem do Harry Potter & Friends que percebi: eles não andam numa universidade Mugle, frequentam escolas de feitiçaria em que se deve passar com o mínimo de estudo. Daí, as capas.
Imagem de uma universidade portuguesa, com as suas roupas típicas (incluindo o maravilhoso manto da invisibilidade que permite sair de lá sem saber nada).
Sempre me fez confusão, por que razão sempre que visitava universidades estrangeiras via os alunos vestidos de jeans, sentados em relvados, mas basicamente concentrados no trabalho académico.
Em Portugal, pelo contrário, os grandes momentos eram os dedicados às praxes e à escolha do trajo académico (que lhes custa, crachás incluídos, quase tanto como um ano inteiro de propinas numa universidade pública).
Foi ao avistar uma imagem do Harry Potter & Friends que percebi: eles não andam numa universidade Mugle, frequentam escolas de feitiçaria em que se deve passar com o mínimo de estudo. Daí, as capas.
Imagem de uma universidade portuguesa, com as suas roupas típicas (incluindo o maravilhoso manto da invisibilidade que permite sair de lá sem saber nada).
21 de julho de 2003
AINDA A JUSTIÇA
Segundo sondagens recentes, os portugueses gostariam de ver agravadas para mais de 25 anos ou até para a pena de morte, as penas de alguns crimes.
Parece-me bem, e propunha até que voltássemos àquela prática que consistia em amarrar uma pessoa pelos braços a um cavalo e pelas pernas a outro, até que a força dos animais acabasse por desmembrar o desgraçado.
A companheira Cardona poderia fazer um acordo com as televisões (julgo que a Tvi pagaria o que fosse preciso) e transmitir em directo. Poderiam chamar-lhe "O arrancar de membros da Marta".
Segundo sondagens recentes, os portugueses gostariam de ver agravadas para mais de 25 anos ou até para a pena de morte, as penas de alguns crimes.
Parece-me bem, e propunha até que voltássemos àquela prática que consistia em amarrar uma pessoa pelos braços a um cavalo e pelas pernas a outro, até que a força dos animais acabasse por desmembrar o desgraçado.
A companheira Cardona poderia fazer um acordo com as televisões (julgo que a Tvi pagaria o que fosse preciso) e transmitir em directo. Poderiam chamar-lhe "O arrancar de membros da Marta".
SEGREDO DE JUSTIÇA
Durante anos julguei que esta expressão se referia ao mistério que envolvia o facto dos juízes enviarem para a prisão milhares de pessoas a aguardar julgamento, durante anos; ao facto dos tribunais terem dois meses de férias enquanto o resto do país se vê à rasca para ter um, ou à misteriosa razão que leva um processo a demorar tanto tempo que quando finalmente chega a julgamento já pagávamos para que não nos chateassem mais com aquilo.
Afinal, não. Refere-se apenas à forma como interesses vários fazem sair a informação directamente de interrogatórios e de outros procedimentos de investigação para as primeiras páginas dos jornais.
Durante anos julguei que esta expressão se referia ao mistério que envolvia o facto dos juízes enviarem para a prisão milhares de pessoas a aguardar julgamento, durante anos; ao facto dos tribunais terem dois meses de férias enquanto o resto do país se vê à rasca para ter um, ou à misteriosa razão que leva um processo a demorar tanto tempo que quando finalmente chega a julgamento já pagávamos para que não nos chateassem mais com aquilo.
Afinal, não. Refere-se apenas à forma como interesses vários fazem sair a informação directamente de interrogatórios e de outros procedimentos de investigação para as primeiras páginas dos jornais.
MERCADO
Em frente à estação de S.Bento era domingo. E havia gente a acotovelar-se em frente de cachorros de olhos doces, galinhas, bonecos chineses que rodopiavam sobre um eixo enquanto a dona dizia "dois eulos, dois eulos", antenas de carro gamadas de véspera, hamsters ("Pai compra-me um, Quem é que toma conta dele depois, hã?, Eu, Eu!, Sim, sim, o costume") e tantas coisas que se perdia de vista os seus contornos exactos. E o povo curioso a falar alto, a debruçar-se e a perguntar coisas. Era ali, Portugal.
Em frente à estação de S.Bento era domingo. E havia gente a acotovelar-se em frente de cachorros de olhos doces, galinhas, bonecos chineses que rodopiavam sobre um eixo enquanto a dona dizia "dois eulos, dois eulos", antenas de carro gamadas de véspera, hamsters ("Pai compra-me um, Quem é que toma conta dele depois, hã?, Eu, Eu!, Sim, sim, o costume") e tantas coisas que se perdia de vista os seus contornos exactos. E o povo curioso a falar alto, a debruçar-se e a perguntar coisas. Era ali, Portugal.
GYMNAESTRADA
O nome é pavoroso, a lembrar corridas de corta-mato com calções puxados até ao pescoço, mas o acontecimento é notável. Bastava circular por Lisboa, para ver a alegria de milhares de jovens dos 7 aos 77, vestidos com as cores dos seus países. Claro que um evento destes mereceria uma promoção adequada; uma coisa que atraísse ao país, gente interessada em ver de perto as exibições destes atletas. E já agora que trouxesse portugueses de outras regiões à capital. Não é preciso ser um especialista em desporto para se perceber a magnitude deste acontecimento.
Quanto a mim, tenciono ir ver várias das exibições.
O nome é pavoroso, a lembrar corridas de corta-mato com calções puxados até ao pescoço, mas o acontecimento é notável. Bastava circular por Lisboa, para ver a alegria de milhares de jovens dos 7 aos 77, vestidos com as cores dos seus países. Claro que um evento destes mereceria uma promoção adequada; uma coisa que atraísse ao país, gente interessada em ver de perto as exibições destes atletas. E já agora que trouxesse portugueses de outras regiões à capital. Não é preciso ser um especialista em desporto para se perceber a magnitude deste acontecimento.
Quanto a mim, tenciono ir ver várias das exibições.
PAX IN DOMINICUS
Ao que consta, o Vaticano já entrou no negócio das roupas. Quem for em corpinho bem feito, pode comprar umas roupas descartáveis à entrada da Basílica de S.Pedro. Não sei se será franchising daquelas peças íntimas descartáveis que se vendiam nas sex shops, mas parece-me uma ideia piedosa.
Afinal, nunca se sabe se algum contido padre não desviaria por momentos os olhos das imagens dos anjinhos para os passear nas carnes macias de uma turista.
Ao que consta, o Vaticano já entrou no negócio das roupas. Quem for em corpinho bem feito, pode comprar umas roupas descartáveis à entrada da Basílica de S.Pedro. Não sei se será franchising daquelas peças íntimas descartáveis que se vendiam nas sex shops, mas parece-me uma ideia piedosa.
Afinal, nunca se sabe se algum contido padre não desviaria por momentos os olhos das imagens dos anjinhos para os passear nas carnes macias de uma turista.
18 de julho de 2003
17 de julho de 2003
LUSOFONIA
Foi uma bela iniciativa a da Rtp, ao reunir em festa a música e a literatura de língua portuguesa.
Gostei de rever os amigos e os mais ou menos conhecidos oriundos dos vários países. Portugal incluído, no que disse respeito à música.
Tivéssemos nós algum escritor conhecido, tal como Timor, Angola, Moçambique e os restantes, e a Rtp também se lembraria de o convidar a falar. Assim, olha: foi o que pôde ser.
Foi uma bela iniciativa a da Rtp, ao reunir em festa a música e a literatura de língua portuguesa.
Gostei de rever os amigos e os mais ou menos conhecidos oriundos dos vários países. Portugal incluído, no que disse respeito à música.
Tivéssemos nós algum escritor conhecido, tal como Timor, Angola, Moçambique e os restantes, e a Rtp também se lembraria de o convidar a falar. Assim, olha: foi o que pôde ser.
SICLADY
No programa da Luisa Chatêau Blanc, um tipo vocifera contra a pílula do dia seguinte. Que é abortiva. Que mata os Martins e as Constanças mal os espermatozóides se encostam onde não deviam. Está furioso.
Faz-me lembrar os lojistas de província que estendem a roupa interior feminina no balcão e lhe mexem com os dedos viciosos, enquanto dizem "esta é que deve ser para si".
No programa da Luisa Chatêau Blanc, um tipo vocifera contra a pílula do dia seguinte. Que é abortiva. Que mata os Martins e as Constanças mal os espermatozóides se encostam onde não deviam. Está furioso.
Faz-me lembrar os lojistas de província que estendem a roupa interior feminina no balcão e lhe mexem com os dedos viciosos, enquanto dizem "esta é que deve ser para si".
FÉRIAS
O país está a banhos. Mesmo o que permanece nas repartições. Os telefones que costumavam tocar 8 vezes antes de serem atendidos nas Câmaras, sobem agora para os 16 toques, antes que uma mão misteriosa os desligue. Caminhamos entre os prédios como se usássemos sempre roupa a mais.
Raios partam os dias em que não sabemos se partir se ficar.
O país está a banhos. Mesmo o que permanece nas repartições. Os telefones que costumavam tocar 8 vezes antes de serem atendidos nas Câmaras, sobem agora para os 16 toques, antes que uma mão misteriosa os desligue. Caminhamos entre os prédios como se usássemos sempre roupa a mais.
Raios partam os dias em que não sabemos se partir se ficar.
DEAMBULAÇÕES LITERÁRIAS
Há a convicção enraizada de que um escritor adora falar dos seus livros. Que se deslocará a qualquer ponto do país ou do estrangeiro, deixando para trás aquilo que sabe fazer melhor (escrever, presume-se) para perorar sobre a forma como a adjectivação influencia a dinâmica do conto X u Y. Permitam-me que diga, humildemente, que não é verdade. Faz parte do pacote do acto de publicar (que é muito distinto do acto de escrever), mas não está natureza de nenhum escritor que eu conheça.
Há a convicção enraizada de que um escritor adora falar dos seus livros. Que se deslocará a qualquer ponto do país ou do estrangeiro, deixando para trás aquilo que sabe fazer melhor (escrever, presume-se) para perorar sobre a forma como a adjectivação influencia a dinâmica do conto X u Y. Permitam-me que diga, humildemente, que não é verdade. Faz parte do pacote do acto de publicar (que é muito distinto do acto de escrever), mas não está natureza de nenhum escritor que eu conheça.
16 de julho de 2003
ERROS ORTOGRÁFICOS
Abeiram-se de mim, com alguma frequência, pessoas com ideias interessantes e uma fraca ortografia. Isto confrange-me e faz-me pensar nas reacções que muitas pessoas, colocadas em locais de decisão, não terão, na altura de decidirem sobre a publicação ou não daquele texto, sobre o apoio ou não à produção daquela curta, etc. etc...
Todos cometemos gaffes linguísticas, mas um bocadinho de atenção poderia fazer ver esse tipo de trabalhos com outros olhos. Sem ruído de fundo.
Os descontraídos que pensem nisto como a imagem daquela pessoa linda que se aproxima de nós e quando abre a boca nos lembra o porquê das tarifas dos dentistas...
Abeiram-se de mim, com alguma frequência, pessoas com ideias interessantes e uma fraca ortografia. Isto confrange-me e faz-me pensar nas reacções que muitas pessoas, colocadas em locais de decisão, não terão, na altura de decidirem sobre a publicação ou não daquele texto, sobre o apoio ou não à produção daquela curta, etc. etc...
Todos cometemos gaffes linguísticas, mas um bocadinho de atenção poderia fazer ver esse tipo de trabalhos com outros olhos. Sem ruído de fundo.
Os descontraídos que pensem nisto como a imagem daquela pessoa linda que se aproxima de nós e quando abre a boca nos lembra o porquê das tarifas dos dentistas...
PUERICULTURA
Como os filhos não trazem livros de instruções, nunca é de mais os novos pais partilharem entre si estratégias. Hoje aprendi uma que funciona muito bem entre os 8 e os 12 anos. Em caso de motim infantil gritar: "Olha que eu tenho um sabonete e não tenho medo de o usar!".
Julgo que também resulta com um molho de espinafres e um panela de sopa, mas confesso que ainda não tentei.
Como os filhos não trazem livros de instruções, nunca é de mais os novos pais partilharem entre si estratégias. Hoje aprendi uma que funciona muito bem entre os 8 e os 12 anos. Em caso de motim infantil gritar: "Olha que eu tenho um sabonete e não tenho medo de o usar!".
Julgo que também resulta com um molho de espinafres e um panela de sopa, mas confesso que ainda não tentei.
15 de julho de 2003
TIRAGENS
Parece que a tiragem dos jornais aumentou bestialmente. Sobretudo os que conhecíamos por fossarem no lixo da miséria humana. Os casapianos escândalos terão contribuido para esta significativa procura.
Talvez possamos repetir aqui o chavão da literatura light: agora é que os ignorantes vão começar a ler!
Parece que a tiragem dos jornais aumentou bestialmente. Sobretudo os que conhecíamos por fossarem no lixo da miséria humana. Os casapianos escândalos terão contribuido para esta significativa procura.
Talvez possamos repetir aqui o chavão da literatura light: agora é que os ignorantes vão começar a ler!
CAchA
Uma das vantagens de se ser escritor e professor é que nos nascem radares nas orelhas e antenas no coração.
Por isso, permitam-me que vos diga, e por uma vez sem ironia, que eu sei MESMO quem é o Meu Pipi ;-)
... E que obviamente, não direi, ainda que me roguem pragas ou pensem que estou a
fazer bluff.
ps: não, também não sou eu, que o único palavrão que digo (escrevo mais alguns, isso também é verdade...) acaba em "-seeee".
Uma das vantagens de se ser escritor e professor é que nos nascem radares nas orelhas e antenas no coração.
Por isso, permitam-me que vos diga, e por uma vez sem ironia, que eu sei MESMO quem é o Meu Pipi ;-)
... E que obviamente, não direi, ainda que me roguem pragas ou pensem que estou a
fazer bluff.
ps: não, também não sou eu, que o único palavrão que digo (escrevo mais alguns, isso também é verdade...) acaba em "-seeee".
14 de julho de 2003
O PROFESSOR
Durante muito tempo vivi horrorizado pela sua forma fria de analisar o mundo. Só uma das suas frases me batalha sempre dentro da cabeça "Não adianta ter razão antes de tempo". Hoje, embora discordando de alguns aspectos, ouço-lhe os comentários com alguma atenção. Parece-me que finalmente encontrou a sua forma mais feliz de comunicar. Pensando bem, tirando uns vislumbres à inocente striper Alexandra Lencastre, Marcelo, o Comentador, é o meu único momento tvi.
Espera... minto: já me esquecia das missas.
ps: Manuel Monteiro, esse portento de inteligência por quem os portugueses aspiram, fez-lhe um comentário irónico, julgo que no Expresso, afirmando que ele é professor universitário e comentador televisivo porque não conseguiu ser primeiro-ministro. Sendo verdade, parece-me que está a menosprezar o poder de um opinion maker com centenas de milhares de pessoas a escutá-lo todas as semanas... Para quem gere um partido com 2oo militantes parece-me um bocadinho ousado...
Durante muito tempo vivi horrorizado pela sua forma fria de analisar o mundo. Só uma das suas frases me batalha sempre dentro da cabeça "Não adianta ter razão antes de tempo". Hoje, embora discordando de alguns aspectos, ouço-lhe os comentários com alguma atenção. Parece-me que finalmente encontrou a sua forma mais feliz de comunicar. Pensando bem, tirando uns vislumbres à inocente striper Alexandra Lencastre, Marcelo, o Comentador, é o meu único momento tvi.
Espera... minto: já me esquecia das missas.
ps: Manuel Monteiro, esse portento de inteligência por quem os portugueses aspiram, fez-lhe um comentário irónico, julgo que no Expresso, afirmando que ele é professor universitário e comentador televisivo porque não conseguiu ser primeiro-ministro. Sendo verdade, parece-me que está a menosprezar o poder de um opinion maker com centenas de milhares de pessoas a escutá-lo todas as semanas... Para quem gere um partido com 2oo militantes parece-me um bocadinho ousado...
13 de julho de 2003
MOMENTO PUB
Apresentação do livro "Segura-te ao Meu Peito em Chamas", deste vosso criado, nas FNACs.
C.C.COLOMBO- amanhã, 14 de Julho, às 18 h. A apresentação estará a cargo do psicólogo e psicanalista (profissões que ajudarão a explicarar a gentileza do seu gesto, ao aceitar o meu convite) Eduardo Sá, autor de vários livros ligados à psicologia comportamental.
CASCAIS SHOPPING: 22 de Julho, 21.30 h. Pedro Mexia falará sobre o livro (muito provavelmente desancando sobre boa parte dele... [suspiro] o que só aumentará o interesse do encontro). Poeta e crítico, dispensa apresentação.
Também nos encontraremos no Porto, no NORTE SHOPPING, a 19 de Julho (hora e convidado a confirmar). Aguardo o pessoal do Norte, para nos conhecermos e discutirmos sobre o que tiver de o ser :-)
Apresentação do livro "Segura-te ao Meu Peito em Chamas", deste vosso criado, nas FNACs.
C.C.COLOMBO- amanhã, 14 de Julho, às 18 h. A apresentação estará a cargo do psicólogo e psicanalista (profissões que ajudarão a explicarar a gentileza do seu gesto, ao aceitar o meu convite) Eduardo Sá, autor de vários livros ligados à psicologia comportamental.
CASCAIS SHOPPING: 22 de Julho, 21.30 h. Pedro Mexia falará sobre o livro (muito provavelmente desancando sobre boa parte dele... [suspiro] o que só aumentará o interesse do encontro). Poeta e crítico, dispensa apresentação.
Também nos encontraremos no Porto, no NORTE SHOPPING, a 19 de Julho (hora e convidado a confirmar). Aguardo o pessoal do Norte, para nos conhecermos e discutirmos sobre o que tiver de o ser :-)
ESTRADAS
Numa estrada que atravessa o Pinhal de Leiria são visíveis os constantes sinais de proibição de ultrapassar os 50 km hora. Repito: numa recta de quilómetros está a indicação que só se pode andar a 50 km. Das duas, uma: ou os gnrs vão para ali arredondar os fins de mês da corporação quando o negócio anda fraco, ou foi colocado entre 1850 e 1910. Ou é apenas uma forma de dizer que aquilo não é para se cumprir, como tudo o resto.
Numa estrada que atravessa o Pinhal de Leiria são visíveis os constantes sinais de proibição de ultrapassar os 50 km hora. Repito: numa recta de quilómetros está a indicação que só se pode andar a 50 km. Das duas, uma: ou os gnrs vão para ali arredondar os fins de mês da corporação quando o negócio anda fraco, ou foi colocado entre 1850 e 1910. Ou é apenas uma forma de dizer que aquilo não é para se cumprir, como tudo o resto.
PRAIAS
Nos nossos areais os nadadores-salvadores vêem-se à rasca para acalmar o aquático entusiasmo dos veraneantes. Se levantam a bandeira amarela já sabem que têm as ondas cheias de campeões olímpicos a nadar para fora. Nas horas de maior afluência é ouvir o apitar constante destes elementos tentando chamar à razão e a terra, os kamikazes. A bandeira vermelha parece ser mais respeitada, são poucos os que nadam abertamente quando a avistam. Numa das praias em que estive, assisti (entre muitas outras cenas) ao salvamento de um miúdo arrastado para longe num colchão de ar. Devia ter uns 9 ou 10 anos. Quando voltou, as pernas a tremer, pousou o colchão devagarinho junto dos pais que ressonavam e liam o jornal, sem terem dado absolutamente por nada. Depois, voltou para as ondas revoltas.
Nos nossos areais os nadadores-salvadores vêem-se à rasca para acalmar o aquático entusiasmo dos veraneantes. Se levantam a bandeira amarela já sabem que têm as ondas cheias de campeões olímpicos a nadar para fora. Nas horas de maior afluência é ouvir o apitar constante destes elementos tentando chamar à razão e a terra, os kamikazes. A bandeira vermelha parece ser mais respeitada, são poucos os que nadam abertamente quando a avistam. Numa das praias em que estive, assisti (entre muitas outras cenas) ao salvamento de um miúdo arrastado para longe num colchão de ar. Devia ter uns 9 ou 10 anos. Quando voltou, as pernas a tremer, pousou o colchão devagarinho junto dos pais que ressonavam e liam o jornal, sem terem dado absolutamente por nada. Depois, voltou para as ondas revoltas.
TAXIS
Não sei se a Manuela F. Leite é visitante do Prazer_Inculto, mas tinha uma boa sugestão a fazer-lhe para resolver o problema dos táxis. Porque é que eles não vendem a lataria (que aparentemente só lhes dá prejuízo e 12 horas de trabalho) e entram para os quadros da Carris? Aumentavam-se os passes, enquanto condutores só fariam as carreiras que lhes apetecessem e nem era preciso dar-lhes formação em má-criação, já que são todos graduados nessa matéria. Se ficarem renitentes, motivam-se com a ideia que um autocarro é um objecto muito maior para bloquear o trânsito, se lhes der na real gana.
Não sei se a Manuela F. Leite é visitante do Prazer_Inculto, mas tinha uma boa sugestão a fazer-lhe para resolver o problema dos táxis. Porque é que eles não vendem a lataria (que aparentemente só lhes dá prejuízo e 12 horas de trabalho) e entram para os quadros da Carris? Aumentavam-se os passes, enquanto condutores só fariam as carreiras que lhes apetecessem e nem era preciso dar-lhes formação em má-criação, já que são todos graduados nessa matéria. Se ficarem renitentes, motivam-se com a ideia que um autocarro é um objecto muito maior para bloquear o trânsito, se lhes der na real gana.
12 de julho de 2003
O MUNDO SEM MIM
Durante quase duas semanas não vi televisão. Li jornais mas apenas porque não posso estar muito tempo longe dos caracteres (uma doença crónica que contraí muito cedo). No que me diz respeito, o presidente Lula não visitou Portugal, Manuela Ferreira Leite não mostrou o seu lado mais saloio passando a mão no pêlo dos taxistas e as televisões pararam, finalmente, de fazer o elogio da cretinice.
Durante quase duas semanas não vi televisão. Li jornais mas apenas porque não posso estar muito tempo longe dos caracteres (uma doença crónica que contraí muito cedo). No que me diz respeito, o presidente Lula não visitou Portugal, Manuela Ferreira Leite não mostrou o seu lado mais saloio passando a mão no pêlo dos taxistas e as televisões pararam, finalmente, de fazer o elogio da cretinice.
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